A trajetória da camisa
A
camisa, é uma peça do vestuário que teve origem na roupa de baixo masculina, e no
decorrer do século XX se tornou um clássico do guarda-roupa feminino.
No
final do século XVIII, ela não deveria ficar aparente e era usada apenas como
uma camada entre o corpo e o traje externo. Um dos primeiros usuários e
principal divulgador dela como elemento de moda foi George Brummel, o máximo
expoente do
Dandismo no início do século XIX e grande
adorador da elegância. A partir deste momento, esta peça começa a ser adotada
pelos homens de maneira natural e a ser mais
valorizada. Ela
passa a ser usada com o terno, traje sóbrio da época, e ficava a mostra
apenas nas
regiões do peito e dos punhos.
De
uma peça do vestuário masculino, a camisa branca se tornou no século XX,
um símbolo de
elegância para as mulheres. Ao longo deste período, ela percorreu uma
trajetória
dentro do guarda-roupa feminino, na qual passou de veste apropriada para o
uso no trabalho a um
clássico adequado a diversas ocasiões e ambientes.
No
século XIX a camisa branca, conhecida por chemise, era longa, descia até
o
joelho e era usada como
peça de baixo.
Foi
com o surgimento do tailleur em 1880 que as mulheres começaram a
desfrutar das camisas brancas e a exibi-las. Esse traje foi concebido para vestir
governantas, datilógrafas e balconistas: as mulheres trabalhadoras tinham a necessidade
de roupas mais funcionais. A camisa branca do início do século era de “estilo
eduardiano”, com nervuras, arremates e entremeios de renda e muitos bordados.
Na
virada do século XX, a camisa branca, usada com a saia rodada, era peça
fundamental do guarda
roupa das mulheres norte-americanas.
Em 1920, a camisa “aderiu” ao estilo marinheiro, folgada no corpo e terminada em uma faixa branca e larga que envolvia os quadris. Esta camisa fazia um estilo esportivo, informal e era usada na prática de esportes como tênis e golfe.
Mas
foi graças a grande estilista Coco Chanel que a camisa branca se tornou uma
peça definitivamente indispensável para as mulheres. Chanel foi uma das
primeiras mulheres a reconhecer o atrativo da camisa simples, branca, de estilo
colegial, percebendo que ficava melhor com roupas simples e inspiradas no
guarda roupa masculino .Combinada com os costumes simplificados dos anos
de guerra, a camisa branca simples tornou-se uma marca registrada do novo modo
de vestir.
Em
1926 o estilo “camisa e gravata” foi associado a mulheres intelectuais, como as
do chamado grupo de Bloomsbury.
Na década de 30, influenciada pela estrelas do
cinema, as camisas femininas estavam
presentes e Katherine Hepburn era uma
das adeptas.
Na
década de 1940, a camisa teve seu impacto significativo: os adolescentes
começaram a usar as camisas descartadas por seus pais combinadas com as calças jeans.
Em
1952 surgiu uma versão da camisa branca conhecida como “blusa Bettina”: criada
por Givenchy, possuía gola reversível e mangas largas cobertas com babados.
Nesta
época, pós Segunda Guerra Mundial, a mulher começa a conquistar sua
independência e, com isso, nas décadas seguintes a camisa se tornou uma peça
básica e significativa dentro do guarda-roupa feminino.
No
início dos anos 60 a camisa era um estilo mais colegial. Filmes como Jules
et Jim ditaram a moda com suas camisas brancas combinadas com jaquetas pequenas,
coletes, calças largas presas a altura do joelho, num estilo vagamente retrô causando
um enorme impacto na moda jovem.
A
década de 70 foi uma época de grandes transformações e a camisa voltou a ser
simples, inspirando-se nas linhas fluídas das roupas esportivas, sendo usada
sob pulôveres de lã ou coletes.
No início dos anos 80 a camisa ganhou
ombreiras e voltou a ser um uniforme de trabalho. Sob influência do estilo “eduardiano”
(com muitas rendas, bicos e babados), passando uma aura de romantismo. No final
da década a camisa está ligada ao bom gosto e austeridade sendo mostrada assim
no filme “Uma secretária de futuro”.
No
começo dos anos 90 a camisa branca volta ao mercado com força, valorizando uma
silhueta feminina e estilosa.
Neste
século a camisa se impõe como uma peça atemporal, vestindo as mulheres do
trabalho às festas, sendo sinônimo de praticidade, conforto e estilo.









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