sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A trajetória da camisa


A camisa, é uma peça do vestuário que teve origem na roupa de baixo masculina, e no decorrer do século XX se tornou um clássico do guarda-roupa feminino.

No final do século XVIII, ela não deveria ficar aparente e era usada apenas como uma camada entre o corpo e o traje externo. Um dos primeiros usuários e principal divulgador dela como elemento de moda foi George Brummel, o máximo expoente do
Dandismo  no início do século XIX e grande adorador da elegância. A partir deste momento, esta peça começa a ser adotada pelos homens de maneira natural e a ser mais
valorizada. Ela passa a ser usada com o terno, traje sóbrio da época, e ficava a mostra
apenas nas regiões do peito e dos punhos. 
De uma peça do vestuário masculino, a camisa branca se tornou no século XX,
um símbolo de elegância para as mulheres. Ao longo deste período, ela percorreu uma
trajetória dentro do guarda-roupa feminino, na qual passou de veste apropriada para o
uso no trabalho a um clássico adequado a diversas ocasiões e ambientes.
No século XIX a camisa branca, conhecida por chemise, era longa, descia até o
joelho e era usada como peça de baixo.
Foi com o surgimento do tailleur em 1880 que as mulheres começaram a desfrutar das camisas brancas e a exibi-las. Esse traje foi concebido para vestir governantas, datilógrafas e balconistas: as mulheres trabalhadoras tinham a necessidade de roupas mais funcionais. A camisa branca do início do século era de “estilo eduardiano”, com nervuras, arremates e entremeios de renda e muitos bordados. 
Na virada do século XX, a camisa branca, usada com a saia rodada, era peça
fundamental do guarda roupa das mulheres norte-americanas.
           Em 1920, a camisa “aderiu” ao estilo marinheiro, folgada no corpo e terminada em uma faixa branca e larga que envolvia os quadris. Esta camisa fazia um estilo esportivo, informal e era usada na prática de esportes como tênis e golfe. 
Mas foi graças a grande estilista Coco Chanel que a camisa branca se tornou uma peça definitivamente indispensável para as mulheres. Chanel foi uma das primeiras mulheres a reconhecer o atrativo da camisa simples, branca, de estilo colegial, percebendo que ficava melhor com roupas simples e inspiradas no guarda roupa masculino .Combinada com os costumes simplificados dos anos de guerra, a camisa branca simples tornou-se uma marca registrada do novo modo de vestir.
Em 1926 o estilo “camisa e gravata” foi associado a mulheres intelectuais, como as do chamado grupo de Bloomsbury. 
Na década de 30, influenciada pela estrelas do cinema,  as camisas femininas estavam presentes  e Katherine Hepburn era uma das adeptas.


Na década de 1940, a camisa teve seu impacto significativo: os adolescentes começaram a usar as camisas descartadas por seus pais combinadas com as calças jeans.
Em 1952 surgiu uma versão da camisa branca conhecida como “blusa Bettina”: criada por Givenchy, possuía gola reversível e mangas largas cobertas com babados.

Nesta época, pós Segunda Guerra Mundial, a mulher começa a conquistar sua independência e, com isso, nas décadas seguintes a camisa se tornou uma peça básica e significativa dentro do guarda-roupa feminino.



No início dos anos 60 a camisa era um estilo mais colegial. Filmes como Jules et Jim ditaram a moda com suas camisas brancas combinadas com jaquetas pequenas, coletes, calças largas presas a altura do joelho, num estilo vagamente retrô causando um enorme impacto na moda jovem.

A década de 70 foi uma época de grandes transformações e a camisa voltou a ser simples, inspirando-se nas linhas fluídas das roupas esportivas, sendo usada sob pulôveres de lã ou coletes.

 No início dos anos 80 a camisa ganhou ombreiras e voltou a ser um uniforme de trabalho. Sob influência do estilo “eduardiano” (com muitas rendas, bicos e babados), passando uma aura de romantismo. No final da década a camisa está ligada ao bom gosto e austeridade sendo mostrada assim no filme “Uma secretária de futuro”.


No começo dos anos 90 a camisa branca volta ao mercado com força, valorizando uma silhueta feminina e estilosa.


Neste século a camisa se impõe como uma peça atemporal, vestindo as mulheres do trabalho às festas, sendo sinônimo de praticidade, conforto e estilo.



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